Hoje, o Paulo Guinote, d' A Educação do meu Umbigo" vai estar no "Prós e Contras".
A não perder.
Pode assistir ao programa na televisão, ao mesmo tempo que pode sequir os comentários em directo em "A Educação do meu Umbigo" - "educar.worpress.com"
Força, Paulo.
Há um exército de esperança atrás de ti.
segunda-feira, 31 de março de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
Não esquecer o essencial: a violência do governo tem sido a violência maior
1. Comunicação social volátil à procura de audiência
E, de repente, as questões mais visíveis do conflito que opõe professores e Ministério da Educação existente professores foram postas de lado pela comunicação social: ou não falam já nesses assuntos (a aberrante e arbitrária invenção dos “titulares”, o irracional modelo de avaliação, o tal novo projecto de gestão escolar para “gerar lideranças fortes”), ou dão-lhe um relevo diminuto. Agora, os principais órgãos de comunicação social assestaram todas as suas baterias no tema da “violência” nas escolas. Aquele vídeo da Carolina Michaelis, de tão chocante que é, foi uma bênção para eles, pelas horas e horas a fio de comentários e de repetição das mesmas imagens. Toda a gente tem opinião. Mas nem toda a opinião é inocente. E esta derivação pode ser boa também para a ministra, se não estivermos atentos, pois desvia a atenção do essencial.
2. A "Quadratura do Círculo"
Ontem, na "Quadratura do Círculo", falou-se inevitavelmente do vídeo e da violência. Mas falou-se de uma forma muito genérica. Tão genérica que até pareceu banal. Teve o mérito ao menos de aflorar algumas ideias em que em que o Jorge Coelho e o Pacheco Pereira estão ambos de acordo:
- Os professores não participam casos de violência porque não acreditam no sistema, acreditando, isso sim, que isto, na situação actual, lhes poderia ainda acrescer os problemas;
- Há uma tendência para silenciar os factos, um silêncio cúmplice, também para não criar problemas à escola, à própria polícia, à progressão na carreira;
- A participação dos pais nas escolas é muito reduzida e duvida-se do grau da sua representatividade;
- É necessário mudar o sistema de gestão democrático das escolas, mas não se referiram ao novo sistema que a ministra propõe. Será que concordam com ele?
O Jorge Coelho atirou, como costuma, com os casos da sua vida. Evocou, como sempre faz, os muitos amigos que tem. Esforçou-se por vincar a ideia de que a culpa não deveria ser assacada a este ou àquele, fazendo uma afirmação “inovadora” que a culpa era de todos: pais, professores, polícia, escola, autarquia. Generalizou de tal maneira, que a culpa é de todos, e, sendo de todos, acaba por não ser de ninguém. Só se esqueceu de referir o “incentivo” importante que a “política educativa” da sua ministra tem dado à desautorização dos professores e da escola, potenciando estes casos de desrespeito e violência. Mas não se esqueceu de louvar a actuação “não demagógica” do governo nesta matéria. Certamente não ouviu aquele “diálogo” surreal entre jornalista e ministra, em que a senhora sociólogo comparava o Estatuto do Aluno ao Código da Estrada.
O Pacheco Pereira acusou a comunicação social de banalizar a situação de tanto repetir as imagens do vídeo. É uma questão em que bate sempre, umas vezes com razão, mas outras vezes sem ela. Isto quanto ao que eu penso. E eu penso que estas imagens, mesmo muito repetidas, têm sido muito úteis, não estão banalizadas, e, diluído o choque emocional das primeiras vezes que se vêem, ajudam a racionalizar mais o problema que traduzem. Eu acho que têm sido muito úteis. Pelo menos até agora.
Ao contrário do Jorge Coelho, disse que a ministra lidou mal com as imagens e o problema da violência, mas limitou-se apenas a dizer que a sua reacção "foi frouxa". Criticou o “psicologismo” como norma universal reinante mo Ministério da educação, que leva o professor a ter que cativar os alunos, ater que motivar os alunos, a seduzir os alunos, partindo sempre da máxima do aluno como “bom selvagem” que tem levado aos resultados que se vêem. E nesta questão do “eduquês”, culpou também os sindicatos.
Terminou por afirmar que “reconhecer o problema” da violência deveria ser o primeiro passo que o ME devia dar. E que devia também passar a ideia de que não se devem “punir” os professores por participarem factos de indisciplina e desrespeito. Não sei se ele sabia que ao dizer estas coisas estava a criticar o Estatudo do Aluno ( um monstro, como diz Daniel Sampaio, finalmente “convertido”), e que estava também a criticar o modelo de avaliação dos professores, nos moldes em que ele está feito. E foi bom ele dizer isto. Mas disse-o de forma tão genérica, e quase displicente, que até parecia que estava a fazer um favor.
3 - Conclusão
A “Quadratura” foi frouxa. Não aprofundaram nada. O Jorge Coelho fez o que sempre faz, e como o sabe fazer. Mas até que lá foi concordando com o Pacheco Pereira. Ao Pacheco Pereira exigia-se mais. Ele não pode ficar por afirmações tão genéricas, mesmo que sejam de respeitar, e até de concordar. Ele, principalmente ele, não pode ir para ali dizer "umas coisas" sobre a Educação, assim a modos de "despachar" o assunto.
Hoje tem sido um desfilar de debates, de entrevistas e de registos de opiniões várias. E novamente se nota a ausência dos professores, a falarem com a voz de professores. Alguns comentadores são sinceros. Outros, não. Mas os professores deveriam estar lá, através das estruturas que os representam, ou individualmente.
Na maior parte dos casos, os intervenientes falam de forma muito genérica; falam como podem, mas nota-se que não estão bem conscientes da realidade que se vive nas escolas, e esquecem sistematicamente o conflito que existe entre ministra e professores. Não referem a paralização que está a invadir as escolas, com coordenadores a pedirem demissão, com Conselhos Pedagógicos a pedirem demissão, com Conselhos Executivos a pedirem demissão.
Não podemos consentir que a discussão agora se limite à violência em geral, e daquele vídeo em particular.
Não podemos esquecer o essencial: o modelo de avaliação, o concurso para titulares, o novo projecto da gestão escolar.
O esquecimento, ou o “arrefecimento” poderia ser fatal. E não esquecer também o desrespeito e a violência que este governo tem sistemáticamente atirado sobre nós. O resto são pormenores dessa violência maior, que tem sido a do governo.
……….
Nota: Posso deixar-lhes um abraço?
E, de repente, as questões mais visíveis do conflito que opõe professores e Ministério da Educação existente professores foram postas de lado pela comunicação social: ou não falam já nesses assuntos (a aberrante e arbitrária invenção dos “titulares”, o irracional modelo de avaliação, o tal novo projecto de gestão escolar para “gerar lideranças fortes”), ou dão-lhe um relevo diminuto. Agora, os principais órgãos de comunicação social assestaram todas as suas baterias no tema da “violência” nas escolas. Aquele vídeo da Carolina Michaelis, de tão chocante que é, foi uma bênção para eles, pelas horas e horas a fio de comentários e de repetição das mesmas imagens. Toda a gente tem opinião. Mas nem toda a opinião é inocente. E esta derivação pode ser boa também para a ministra, se não estivermos atentos, pois desvia a atenção do essencial.
2. A "Quadratura do Círculo"
Ontem, na "Quadratura do Círculo", falou-se inevitavelmente do vídeo e da violência. Mas falou-se de uma forma muito genérica. Tão genérica que até pareceu banal. Teve o mérito ao menos de aflorar algumas ideias em que em que o Jorge Coelho e o Pacheco Pereira estão ambos de acordo:
- Os professores não participam casos de violência porque não acreditam no sistema, acreditando, isso sim, que isto, na situação actual, lhes poderia ainda acrescer os problemas;
- Há uma tendência para silenciar os factos, um silêncio cúmplice, também para não criar problemas à escola, à própria polícia, à progressão na carreira;
- A participação dos pais nas escolas é muito reduzida e duvida-se do grau da sua representatividade;
- É necessário mudar o sistema de gestão democrático das escolas, mas não se referiram ao novo sistema que a ministra propõe. Será que concordam com ele?
O Jorge Coelho atirou, como costuma, com os casos da sua vida. Evocou, como sempre faz, os muitos amigos que tem. Esforçou-se por vincar a ideia de que a culpa não deveria ser assacada a este ou àquele, fazendo uma afirmação “inovadora” que a culpa era de todos: pais, professores, polícia, escola, autarquia. Generalizou de tal maneira, que a culpa é de todos, e, sendo de todos, acaba por não ser de ninguém. Só se esqueceu de referir o “incentivo” importante que a “política educativa” da sua ministra tem dado à desautorização dos professores e da escola, potenciando estes casos de desrespeito e violência. Mas não se esqueceu de louvar a actuação “não demagógica” do governo nesta matéria. Certamente não ouviu aquele “diálogo” surreal entre jornalista e ministra, em que a senhora sociólogo comparava o Estatuto do Aluno ao Código da Estrada.
O Pacheco Pereira acusou a comunicação social de banalizar a situação de tanto repetir as imagens do vídeo. É uma questão em que bate sempre, umas vezes com razão, mas outras vezes sem ela. Isto quanto ao que eu penso. E eu penso que estas imagens, mesmo muito repetidas, têm sido muito úteis, não estão banalizadas, e, diluído o choque emocional das primeiras vezes que se vêem, ajudam a racionalizar mais o problema que traduzem. Eu acho que têm sido muito úteis. Pelo menos até agora.
Ao contrário do Jorge Coelho, disse que a ministra lidou mal com as imagens e o problema da violência, mas limitou-se apenas a dizer que a sua reacção "foi frouxa". Criticou o “psicologismo” como norma universal reinante mo Ministério da educação, que leva o professor a ter que cativar os alunos, ater que motivar os alunos, a seduzir os alunos, partindo sempre da máxima do aluno como “bom selvagem” que tem levado aos resultados que se vêem. E nesta questão do “eduquês”, culpou também os sindicatos.
Terminou por afirmar que “reconhecer o problema” da violência deveria ser o primeiro passo que o ME devia dar. E que devia também passar a ideia de que não se devem “punir” os professores por participarem factos de indisciplina e desrespeito. Não sei se ele sabia que ao dizer estas coisas estava a criticar o Estatudo do Aluno ( um monstro, como diz Daniel Sampaio, finalmente “convertido”), e que estava também a criticar o modelo de avaliação dos professores, nos moldes em que ele está feito. E foi bom ele dizer isto. Mas disse-o de forma tão genérica, e quase displicente, que até parecia que estava a fazer um favor.
3 - Conclusão
A “Quadratura” foi frouxa. Não aprofundaram nada. O Jorge Coelho fez o que sempre faz, e como o sabe fazer. Mas até que lá foi concordando com o Pacheco Pereira. Ao Pacheco Pereira exigia-se mais. Ele não pode ficar por afirmações tão genéricas, mesmo que sejam de respeitar, e até de concordar. Ele, principalmente ele, não pode ir para ali dizer "umas coisas" sobre a Educação, assim a modos de "despachar" o assunto.
Hoje tem sido um desfilar de debates, de entrevistas e de registos de opiniões várias. E novamente se nota a ausência dos professores, a falarem com a voz de professores. Alguns comentadores são sinceros. Outros, não. Mas os professores deveriam estar lá, através das estruturas que os representam, ou individualmente.
Na maior parte dos casos, os intervenientes falam de forma muito genérica; falam como podem, mas nota-se que não estão bem conscientes da realidade que se vive nas escolas, e esquecem sistematicamente o conflito que existe entre ministra e professores. Não referem a paralização que está a invadir as escolas, com coordenadores a pedirem demissão, com Conselhos Pedagógicos a pedirem demissão, com Conselhos Executivos a pedirem demissão.
Não podemos consentir que a discussão agora se limite à violência em geral, e daquele vídeo em particular.
Não podemos esquecer o essencial: o modelo de avaliação, o concurso para titulares, o novo projecto da gestão escolar.
O esquecimento, ou o “arrefecimento” poderia ser fatal. E não esquecer também o desrespeito e a violência que este governo tem sistemáticamente atirado sobre nós. O resto são pormenores dessa violência maior, que tem sido a do governo.
……….
Nota: Posso deixar-lhes um abraço?
quarta-feira, 26 de março de 2008
Testemunho*
Colegas!
Emídio Rangel foi dos mais insurrectos e malcriados alunos que passaram pelo liceu Diogo Cão onde estudei, em Sá da Bandeira.
É pena não ser possível (será que é?!...) divulgar a ficha escolar desse traste, pois lá deverão constar as faltas disciplinares e até suspensões devidas a graves actos de indisciplina e falta de educação. Desde arrancar fios eléctricos, rasgar o livro de ponto e até partir o quadro da aula, esse energúmeno fez de tudo!
Não deixa de ser irónico que um tipo com este curriculum tenha a ousadia de opinar sobre educação e docência.
Maria Leonor Gundersen
_______
*Enviado por mail.
Emídio Rangel foi dos mais insurrectos e malcriados alunos que passaram pelo liceu Diogo Cão onde estudei, em Sá da Bandeira.
É pena não ser possível (será que é?!...) divulgar a ficha escolar desse traste, pois lá deverão constar as faltas disciplinares e até suspensões devidas a graves actos de indisciplina e falta de educação. Desde arrancar fios eléctricos, rasgar o livro de ponto e até partir o quadro da aula, esse energúmeno fez de tudo!
Não deixa de ser irónico que um tipo com este curriculum tenha a ousadia de opinar sobre educação e docência.
Maria Leonor Gundersen
_______
*Enviado por mail.
terça-feira, 25 de março de 2008
Assumir responsabilidades (II); as demissões sucedem-se
Sernancelhe: Professores demitiram-se de Assembleia do agrupamento de escolas
19 de Março de 2008, 17:59
Viseu, 19 Mar (Lusa) - Os seis professores que integravam a Assembleia do Agrupamento de Escolas de Sernancelhe demitiram-se por considerarem que o seu projecto tinha "uma morte mais ou menos anunciada" com o novo diploma sobre gestão escolar.
José Amaral, professor que ocupava o cargo de primeiro secretário da Assembleia, disse hoje à Agência Lusa que as demissões foram apresentadas numa reunião terça-feira à noite.
"Foi uma decisão pensada, tomada e a Assembleia deixou de ter quorum suficiente para funcionar", explicou, acrescentando que três dos seis professores ocupavam os cargos de presidente, primeiro e segundo secretários da Assembleia.
O projecto de decreto de lei sobre autonomia, gestão e administração escolar prevê a criação de um Conselho Geral que, na opinião dos professores, porá em causa o projecto que iniciaram.
"O projecto em que nos revíamos tem uma morte mais ou menos anunciada, uma vez que vai ser constituído um novo órgão que é o Conselho Geral", lamentou.
Segundo José Amaral, além das competências habituais das Assembleias, a de Sernancelhe pretendia dar "uma maior visibilidade ao agrupamento, fomentando novas actividades".
"Neste momento, sabemos que não temos condições para fazer isso, porque, por mais projectos que façamos, logo que o Presidente da República promulgue o decreto de lei seremos destituídos", justificou.
O professor sublinhou que, assim sendo, "o projecto neste momento não tinha razão de ser", sendo a demissão "uma forma despegada de mostrar que os professores gostariam de lhe dar continuidade, mas colocam o lugar à disposição".
Contactada pela Lusa, a presidente do agrupamento remeteu esclarecimentos para os membros da Assembleia.
AMF.
Lusa/fim
----------
Nota: sublinhado da minha responsabilidade.
19 de Março de 2008, 17:59
Viseu, 19 Mar (Lusa) - Os seis professores que integravam a Assembleia do Agrupamento de Escolas de Sernancelhe demitiram-se por considerarem que o seu projecto tinha "uma morte mais ou menos anunciada" com o novo diploma sobre gestão escolar.
José Amaral, professor que ocupava o cargo de primeiro secretário da Assembleia, disse hoje à Agência Lusa que as demissões foram apresentadas numa reunião terça-feira à noite.
"Foi uma decisão pensada, tomada e a Assembleia deixou de ter quorum suficiente para funcionar", explicou, acrescentando que três dos seis professores ocupavam os cargos de presidente, primeiro e segundo secretários da Assembleia.
O projecto de decreto de lei sobre autonomia, gestão e administração escolar prevê a criação de um Conselho Geral que, na opinião dos professores, porá em causa o projecto que iniciaram.
"O projecto em que nos revíamos tem uma morte mais ou menos anunciada, uma vez que vai ser constituído um novo órgão que é o Conselho Geral", lamentou.
Segundo José Amaral, além das competências habituais das Assembleias, a de Sernancelhe pretendia dar "uma maior visibilidade ao agrupamento, fomentando novas actividades".
"Neste momento, sabemos que não temos condições para fazer isso, porque, por mais projectos que façamos, logo que o Presidente da República promulgue o decreto de lei seremos destituídos", justificou.
O professor sublinhou que, assim sendo, "o projecto neste momento não tinha razão de ser", sendo a demissão "uma forma despegada de mostrar que os professores gostariam de lhe dar continuidade, mas colocam o lugar à disposição".
Contactada pela Lusa, a presidente do agrupamento remeteu esclarecimentos para os membros da Assembleia.
AMF.
Lusa/fim
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Nota: sublinhado da minha responsabilidade.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Bons conselhos duma mãe agradecida*
Logo depois de ter lido aqueles documentos sobre a avaliação dos professores, pensei como lhe deveria agradecer, Srª Ministra.
Afinal, aquelas horas passadas diariamente junto do meu filho a verificar se os cadernos e as fichas estavam bem organizados, a preparar a mochila e as matérias a estudar para o dia seguinte, a folhear a caderneta escolar, a analisar e a assinar os trabalhos e os testes realizados nas muitas disciplinas, a curar a inflamação de uma garganta dorida pela voz de comando "Vai estudar!" ou pela frase insistentemente repetida, de 2ª a 6ª feira:"DESPACHA-TE! AINDA CHEGAS ATRASADO!" ou o incómodo e o tempo perdido para o levar diariamente à Escola, percorrendo, mais cedo do que seria necessário, um caminho contrário àquele que me conduziria ao meu emprego, tinham finalmente, os seus dias contados. Doravante, essa responsabilidade passaria para a Escola e, individualmente, para cada um dos seus professores.
Finalmente, poderei ir ao cinema, dar dois dedos de conversa no Café do Sr. Artur, trocar umas receitinhas com a minha vizinha (está entrevadinha, coitadinha!) ou acomodar-me deliciosamente no sofá da sala a ver a minha telenovela brasileira preferida. O rapaz ainda me alertou para os efeitos das faltas o conduzirem à realização de uma prova de recuperação. Fiz contas e encolhi os ombros - poupo gasóleo e muitos minutos de caminho, de tráfego e de ajuntamentos. Afinal, ele até é esperto e, se calhar, na internet, encontra alguns trabalhos ou testes já feitos… Sempre pode fazer "copy – paste"… Efectivamente, as provas de recuperação parecem-me a melhor solução para acabar com a minha asfixia matinal e vespertina.
Ontem, a minha vizinha da frente, que tem dois ganapos na escola do meu, disse-me que, se ele continuar a faltar, o vêm buscar a casa, e que, no próximo ano lectivo, os professores vão tomar conta deles depois das aulas. Oiro sobre azul.
Obrigada, Srª Ministra. A Senhora é que percebe desta coisa de ser mãe! A Senhora desculpe a minha ousadia, mas será que também não seria possível fazer uma lei para os miúdos poderem ficar a dormir na escola? Bastava mandar retirar as mesas e cadeiras das salas de aula e substituí-las por beliches, à noite. De manhã, era só desmontar e voltar a arrumar. Têm bar, cantina e até duche. Com jeito, eles ainda aprendiam alguma coisinha sobre tarefas domésticas, porque, em casa, não os podemos obrigar a fazer nada ou somos acusados de exploradores do trabalho infantil com a ameaça dos putos ainda poderem apresentar queixa junto das autoridades policiais.
Ao Sábado, Srª Ministra, podiam ocupá-los com actividades desportivas ou de grupo, teatro, catequese, escuteiros, defesa pessoal…O ideal mesmo era que os pudéssemos ir buscar ao Domingo, só para não se esquecerem dos rostos familiares.
O meu medo, Srª Ministra, é aquela ideia que a minha vizinha Sandrinha, aquela dos três ganapos, comentava hoje comigo. Dizia-me que a Senhora Ministra quer criar o ensino doméstico. Eu acho que ela deve ter ouvido mal ou então confundiu o jornal da SIC com aquele programa da troca de casais do canal 24. Eu acho que isso não vinga em Portugal, porque não temos a extensão de uma América do Norte ou de uma Austrália e, por outro lado, tinha que comprar e equipar os VEI (veículos de educação itinerante), o que iria agravar mais o deficit das contas públicas e o insucesso dos nossos miúdos. Foi isso eu disse à Sandrinha. Acho que ela deve estar enganada. Logo agora, que podemos respirar de alívio porque não temos que nos preocupar com a escola dos garotos, essa ideia vinha destruir tudo, porque os obrigava a ficar em casa para receberem os VEI e aos pais ainda iria ser exigido algum acompanhamento.
A Senhora faça é aquilo que decidiu e não oiça o que os inimigos dos pais e das mães lhe tentam dizer (já agora, lembre-se da minha sugestãozita!). Assim, os professores, com medo da sua própria avaliação, passam a dar boas notas e a passar todos os miúdos e, desta forma, o nosso país varre o lixo para debaixo do tapete, porque é muito feio e incomodativo mostrarmos, lá fora, que somos menos capacitados que os nossos "hermanos" europeus.
Uma mãe e encarregada de educação agradecida,
*Teresa Pimenta
--------------------
Notas: 1 - Avisa-se a senhora socióloga que esta carta está cheia de ironia; o aviso serve também para os seus "cães de fila", obedientes e acríticos, à espera do "osso"; ela e eles podem perguntar a qualquer professor o que significa ironia; 2 - Já há tempos que este texto circula entre blogues; foi-me enviada por mão amiga, pedindo a sua publicação; aqui a deixo, principalmente para quem ainda a não leu; e também não faz mal relê-la, já que o seu conteúdo permanece actual.
Afinal, aquelas horas passadas diariamente junto do meu filho a verificar se os cadernos e as fichas estavam bem organizados, a preparar a mochila e as matérias a estudar para o dia seguinte, a folhear a caderneta escolar, a analisar e a assinar os trabalhos e os testes realizados nas muitas disciplinas, a curar a inflamação de uma garganta dorida pela voz de comando "Vai estudar!" ou pela frase insistentemente repetida, de 2ª a 6ª feira:"DESPACHA-TE! AINDA CHEGAS ATRASADO!" ou o incómodo e o tempo perdido para o levar diariamente à Escola, percorrendo, mais cedo do que seria necessário, um caminho contrário àquele que me conduziria ao meu emprego, tinham finalmente, os seus dias contados. Doravante, essa responsabilidade passaria para a Escola e, individualmente, para cada um dos seus professores.
Finalmente, poderei ir ao cinema, dar dois dedos de conversa no Café do Sr. Artur, trocar umas receitinhas com a minha vizinha (está entrevadinha, coitadinha!) ou acomodar-me deliciosamente no sofá da sala a ver a minha telenovela brasileira preferida. O rapaz ainda me alertou para os efeitos das faltas o conduzirem à realização de uma prova de recuperação. Fiz contas e encolhi os ombros - poupo gasóleo e muitos minutos de caminho, de tráfego e de ajuntamentos. Afinal, ele até é esperto e, se calhar, na internet, encontra alguns trabalhos ou testes já feitos… Sempre pode fazer "copy – paste"… Efectivamente, as provas de recuperação parecem-me a melhor solução para acabar com a minha asfixia matinal e vespertina.
Ontem, a minha vizinha da frente, que tem dois ganapos na escola do meu, disse-me que, se ele continuar a faltar, o vêm buscar a casa, e que, no próximo ano lectivo, os professores vão tomar conta deles depois das aulas. Oiro sobre azul.
Obrigada, Srª Ministra. A Senhora é que percebe desta coisa de ser mãe! A Senhora desculpe a minha ousadia, mas será que também não seria possível fazer uma lei para os miúdos poderem ficar a dormir na escola? Bastava mandar retirar as mesas e cadeiras das salas de aula e substituí-las por beliches, à noite. De manhã, era só desmontar e voltar a arrumar. Têm bar, cantina e até duche. Com jeito, eles ainda aprendiam alguma coisinha sobre tarefas domésticas, porque, em casa, não os podemos obrigar a fazer nada ou somos acusados de exploradores do trabalho infantil com a ameaça dos putos ainda poderem apresentar queixa junto das autoridades policiais.
Ao Sábado, Srª Ministra, podiam ocupá-los com actividades desportivas ou de grupo, teatro, catequese, escuteiros, defesa pessoal…O ideal mesmo era que os pudéssemos ir buscar ao Domingo, só para não se esquecerem dos rostos familiares.
O meu medo, Srª Ministra, é aquela ideia que a minha vizinha Sandrinha, aquela dos três ganapos, comentava hoje comigo. Dizia-me que a Senhora Ministra quer criar o ensino doméstico. Eu acho que ela deve ter ouvido mal ou então confundiu o jornal da SIC com aquele programa da troca de casais do canal 24. Eu acho que isso não vinga em Portugal, porque não temos a extensão de uma América do Norte ou de uma Austrália e, por outro lado, tinha que comprar e equipar os VEI (veículos de educação itinerante), o que iria agravar mais o deficit das contas públicas e o insucesso dos nossos miúdos. Foi isso eu disse à Sandrinha. Acho que ela deve estar enganada. Logo agora, que podemos respirar de alívio porque não temos que nos preocupar com a escola dos garotos, essa ideia vinha destruir tudo, porque os obrigava a ficar em casa para receberem os VEI e aos pais ainda iria ser exigido algum acompanhamento.
A Senhora faça é aquilo que decidiu e não oiça o que os inimigos dos pais e das mães lhe tentam dizer (já agora, lembre-se da minha sugestãozita!). Assim, os professores, com medo da sua própria avaliação, passam a dar boas notas e a passar todos os miúdos e, desta forma, o nosso país varre o lixo para debaixo do tapete, porque é muito feio e incomodativo mostrarmos, lá fora, que somos menos capacitados que os nossos "hermanos" europeus.
Uma mãe e encarregada de educação agradecida,
*Teresa Pimenta
--------------------
Notas: 1 - Avisa-se a senhora socióloga que esta carta está cheia de ironia; o aviso serve também para os seus "cães de fila", obedientes e acríticos, à espera do "osso"; ela e eles podem perguntar a qualquer professor o que significa ironia; 2 - Já há tempos que este texto circula entre blogues; foi-me enviada por mão amiga, pedindo a sua publicação; aqui a deixo, principalmente para quem ainda a não leu; e também não faz mal relê-la, já que o seu conteúdo permanece actual.
domingo, 23 de março de 2008
"Vicente", um corvo que canta ousadia e liberdade*
Torga escreveu:
"Mesmo desprovido de acção imediata,um protesto é sempre um protesto. Uma vez feito, desliga espiritualmente o seu autor da canga rotineira a que vai jungido, compromete-o publicamente com a subversão, solidariza-o com os demais revoltados, e movimenta a passividade, irmã gémea da conivência. Repõe o indivíduo marginal no clima do seu tempo histórico, e dá-lhe a possibilidade de semear ao menos o penisco da esperança no chão actual.Os filhos ou os netos que usufruam depois as vantagens do pinhal crescido".
Como são proféticas e actuais estas palavras escritas há exactamente 50 anos. Temos de ser como o Vicente, o corvo de Os Bichos, e preferirmos enfrentar o dilúvio a entrarmos à força na arca que estes Noés de meia tigela nos querem impingir.
José Coimbra
----------------
*Nota: Texto enviado por José Coimbra, a quem agradeço. E, já agora, leiam e releiam Os Bichos, do Torga. Eu faço-o muitas vezes. Tão humanos, aqueles bichos.
"Mesmo desprovido de acção imediata,um protesto é sempre um protesto. Uma vez feito, desliga espiritualmente o seu autor da canga rotineira a que vai jungido, compromete-o publicamente com a subversão, solidariza-o com os demais revoltados, e movimenta a passividade, irmã gémea da conivência. Repõe o indivíduo marginal no clima do seu tempo histórico, e dá-lhe a possibilidade de semear ao menos o penisco da esperança no chão actual.Os filhos ou os netos que usufruam depois as vantagens do pinhal crescido".
Como são proféticas e actuais estas palavras escritas há exactamente 50 anos. Temos de ser como o Vicente, o corvo de Os Bichos, e preferirmos enfrentar o dilúvio a entrarmos à força na arca que estes Noés de meia tigela nos querem impingir.
José Coimbra
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*Nota: Texto enviado por José Coimbra, a quem agradeço. E, já agora, leiam e releiam Os Bichos, do Torga. Eu faço-o muitas vezes. Tão humanos, aqueles bichos.
ALELUÍA!
Não tenho aqui nenhum boneco à mão, para lhes desejar BOA PÁSCOA. Tenho um galo e uma coelha, mas desses já se falou bastante, e não os quero misturar com os bichos verdadeiros, que esses têm dignidade.
Boas Festas para todos. Eu passarei o dia em Vila Real. Talvez vá de novo a Galafura, por causa dumas fotografias, e para respirar silêncio puro.
A verdadeira Páscoa, para mim, é só na segunda-feira. Aposto que irei de casa em casa, pelas casas lá da aldeia, a cantar ALELUÍA. Assim mesmo. Que na minha terra a palavra tem mesmo as quatro sílabas. Não ficasse ela no Minho.
Até breve.
Um abraço.
Boas Festas para todos. Eu passarei o dia em Vila Real. Talvez vá de novo a Galafura, por causa dumas fotografias, e para respirar silêncio puro.
A verdadeira Páscoa, para mim, é só na segunda-feira. Aposto que irei de casa em casa, pelas casas lá da aldeia, a cantar ALELUÍA. Assim mesmo. Que na minha terra a palavra tem mesmo as quatro sílabas. Não ficasse ela no Minho.
Até breve.
Um abraço.
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