domingo, 9 de março de 2008

Mandaretes de proveta, a nós não nos metem medo

Tentarei publicar logo que possível algumas fotografias da manisfestação de ontem. Talvez o consiga ainda hoje.
Quero agradecer às colegas e aos colegas que me adoptaram, já que o pessoal da minha escola andou todo o tempo tresmalhado. Foi um prazer rever uns, e conhecer outros.
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Riam-se de algumas imagens e de alguns comentários que às vezes passam na televião. Mas riam-se mesmo. É mesmo para rir. E, neste momento, rir um pouco faz muito bem.
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Ontem fizemos história na maior manifestação de sempre. Mas temos que continuar unidos. Cada vez mais. A manifestação foi um espectáculo de emoção transbordante. De emoção e de razão. Mas a luta continua. Não vamos vergar agora.
Mas nós somos lá gente de vergar?
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Atenção a todas as novas formas que vão sendo sugeridas para manifestarmos unidade, solidariedade e descontentamento.
Façamos tudo, mas mesmo tudo, pela nossa dignidade. Lutemos pela qualidade de um Ensino Público a sério, que tenha um sucesso a sério, e não um sucesso estatístico, humilhante para os alunos, para os pais desses alunos, para a escola e professores, e para todo o país.
Não nos deixemos humilhar. Não permitamos que "mandaretes" de proveta ousem sequer pensar que nos poderão calcar. Eles andam por aí. Mas nós não lhes temos medo.
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Atenção a todas as novas formas que vão sendo sugeridas para manifestarmos unidade, solidariedade e descontentamento. Às vezes as formas mais simples e mais simbólicas são mesmo as mais eficazes.
Se amanhã passarem por mim, e eu estiver de preto, e isso é apenas para eu me lembrar, e a todos os que me virem, que a Educação no meu país está em coma e está de luto.
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Um abraço e até sempre.

sexta-feira, 7 de março de 2008

De pé e em frente, que o homem que sonha, não verga a cerviz

Porque os outros se mascaram mas tu não.
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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“Há homens que obrigam todos os outros a reverem-se por dentro”
“Todos somos chamados na vida a desempenhar um grande papel”.

Luís de Sttau Monteiro

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É tradição
Os homens lutarem
É tradição
O Homem crescer
Na raiz do sangue dos homens que lutam
É tradição
Os homens sonharem
E haver sempre alguém
Que não verga a cerviz

Por isso façamos
Recolhas urgentes
De vozes cansadas

E terminais
E computadores
Miríades deles
Para com eles cobrirmos a terra
Em acordes que cantam canções verticais

É tradição
Os homens lutarem
É tradição
Os homens sonharem
E haver sempre alguém
Que não verga a cerviz

E renegado seja
Sete vezes seja
Quem quebrar um til
Da tradição que diz:

- O homem que sonha
Não verga a cerviz

quarta-feira, 5 de março de 2008

Assumir responsabilidades

Os professores do Departamento de Línguas e Literaturas, da Escola Secundária D. Maria II, Braga, na sua reunião ordinária de hoje, 5 de Março, abordaram, inevitavelmente, o modelo de avaliação que nos querem impor. Após demorada, participada e viva discussão, os respectivos professores decidiram redigir e aprovar o documento que, de seguida, transcrevo na íntegra, e em itálico.

. Atendendo a que, sem fundamento válido, se fracturou a carreira docente em duas: professores titulares e não titulares;
. Atendendo a que essa fractura se operou com base num processo arbitrário, gerando injustiças inqualificáveis;
.Atendendo a que os parâmetros desse concurso se circunscreveram, aleatória e arbitrariamente, aos últimos sete anos, deitando insanemente para o caixote do lixo carreiras e dedicações de vidas inteiras entregues à profissão;
. Atendendo a que, por via de tão injusto concurso, não se pode admitir, sem ofensa para todos, que seguiram em frente só os melhores, e que ficaram para trás os que eram piores;
. Atendendo a que esse concurso terá repercussões na aplicação do assim chamado modelo de avaliação, já que, em princípio, quem por essa via acedeu a titular será passível de ser nomeado coordenador e, logo, avaliador;
. Atendendo a que, por essa via, pode muito bem acontecer que o avaliador seja menos qualificado que o avaliado;
. Atendendo a que o modelo de avaliação é tecnicamente medíocre;
. Atendendo a que o modelo de avaliação é leviano nos prazos que impõe;
. Atendendo a que o modelo de avaliação contém critérios subjectivos;
. Atendendo a que há divergências jurídicas sérias relativas à legitimidade deste modelo;
. Atendendo a que o Conselho Executivo e os Coordenadores de Departamento foram democraticamente eleitos com base nas funções então definidas para esses órgãos;
. Atendendo a que este processo, a continuar, terá que ser desenvolvido pelos anunciados futuros Conselhos de Escola, Director escolhido por esse Conselho, e pelos Coordenadores nomeados;
. Nós, professores do Departamento de Línguas, da Escola Secundária D. Maria II, não reconhecemos legitimidade democrática a nenhum dos órgãos da escola para darem continuidade a um processo que extravasa as funções para as quais foram eleitos;
. Mais consideram que:
. Por uma questão de dignidade e de solidariedade profissional, devem, esses órgãos, suspender, de imediato, toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação;
. Caso desejem e insistam na aplicação de tão arbitrário modelo, devem assumir a quebra do vínculo democrático e de confiança entre eles próprios e quem os elegeu, tirando daí as consequências moralmente exigidas.

Notas:

1 – Dos 22 professores presentes, 21 votaram favoravelmente e 1 votou contra:
2 – Para além de darem conhecimento imediato deste documento aos órgãos, ainda democráticos, da escola, os professores decidiram dá-lo a conhecer a todos os colegas da escola;
3 – Decidiram também dar ao documento a maior divulgação pública possível, e enviá-lo directamente para outras escolas e colegas de outras escolas;
4 – Pede-se a todos os professores que nos ajudem na divulgação deste documento, e que o tomem como incentivo e apoio para outras tomadas de posição;
5 – Este documento ficou, obviamente, registado em acta, para que a senhora ministra não continue a dizer que nas escolas está tudo calmo, e que só se protesta na rua;
6 – A introdução e as notas são da minha exclusiva responsabilidade;
7 – Tomo a liberdade de agradecer com prazer aos professores da Escola Secundária D. Maria II, Braga, e principalmente às mulheres, as mais aguerridas, pelas posições firmes que têm assumido, e por rejeitarem qualquer outro lugar que não seja a linha da frente da luta pela dignidade docente. É um orgulho estar entre vós.

Responsabilizar os órgãos democráticos das escolas

Acabo de sair duma reunião de Departamento onde foi aprovado um documento que publicarei aqui depois de jantar. Diz respeito ao modelo de avaliação, exigindo a sua suspensão por parte dos Conselhos Executivos, por se considerar que eles não têm legitimidade democrática para o fazerem.
Espero que voltem para lê-lo.
E peço, principalmente aos que forem professores, que o divulguem.
Até já.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Acorramos a Lisboa, amigos, que matam os "mestres" sem por quê!!

1.
Têm-me chegado várias informações de que o texto "Braga saiu à rua e sorriu" - e que podem ver no TempoBreve -, está a correr o país via e-mail. Sei também que foi fotocopiado e está exposto em várias escola. Algum mérito ele terá.
Agradeço a todos os colegas a atenção que lhe têm dispensado, e os comentários que têm feito, quer no temporeve.blgspot.com, quer no educar.wordpress.com.
2.
Mais importante que isto, porém, é mantermo-nos atentos e mobilizados. Não devemos responder a provocações. E devemos responder à aos comentadores oficiais e oficiosos. Temos gente para isso. De sobra. Não vamos permitir que nos dividam por questões menores. Pelo menos neste momento. Há que continuar com modéstia, discrição e educação. Mas firmes.
3.
Lisboa é o nosso caminho. Temos que vencer essa batalha. A manifestação, aconteça o que acontecer daqui até lá para nos desmobilizar - e vai acontecer -, terá de ser só a maior de sempre. Ela vai ser decisiva para a nossa luta mais funda. O país terá os olhos postos nela par ver que tamanho tem, e para ver como corre. E os comentadores oficiais e oficiosos vão estar de lupa em riste a ver se encontram alguns argumentos manhosos. Não lhos podemos dar. Nem a eles, nem ao governo. Responder-lhes-emos taco a taco. Só queremos é oportunidade para isso. Nos debates. Mas, se não no-la derem, nós saberemos fazer-nos ouvir. Como até agora.
4.
A ministra já não o é. Mas vai lá ficar mais uns tempos. Por teimosia banal. Por táctica medíocre. Por causa daquela coisa de ter de se mostrar que não se demite ninguém sob a pressão da rua. Uma palermice. O que interessa é saber de que lado está a razão. E, evidentemente, ela está do nosso lado. Pode lá ficar, mas já não é ministra de nada. A luta vai continuar.
5.
Esses senhores ainda não pensaram que, no meio da confusão que criaram, os nossos alunos já estão a ser prejudicados. Este ano lectivo é um ano para esquecer. Mas a isto voltaremos.
Tentemos um último esforço para salvaguar a escola, a que é de vida - com alunos dignos e com professores dignos; oponhamo-nos tenazmente àquele simulacro de escola medíocre que nos querem impor, a que é da ministra e dos seus seguidores acríticos, fanáticos ou acéfalos - com alunos tratados como se fossem incapazes crónicos, e com professores amputados da dignidade da sua função.
6.
Foi uma satisfação ver bom ver a senhora ministra com os seus apoiantes: Valentim Loureiro e aquele senhor que fala em nome dos pais. Será que os pais vêem aquele senhor, ouvem aquilo que diz e não diz, e não coram de vergonha? Em nome de que pais é que ele fala? Não no-lo quererá ele mostrar, a nós, à ministra e ao país? Os pais, os que sabem o que se está a passar, já estão a pôr-se do nosso lado. Temos que chamar os outros, num esforço de explicação sempre redobrado.
Claro que o Valentim Loureiro é cínico e oportunista, e sabe que os louvores à ministra não o prejudicam a ele. A ministra, essa é que, coitada, não percebe nada. E, seja quem for que se apresse a apoiá-la, ela, acriticamente e sem pudor algum, tenta um sorriso em forma de esgar, e fica contente. Só falta mesmo à senhora ministra receber o apoio explícito e público, com fanfarra a preceito, da Excelentíssima Senhora D. Catarina Salgado, emérita representante do Turismo Cultural Nocturno.
7.
Organizem-se e inscrevam-se para a ida a Lisboa. Façam listas na escola. É mais cómodo e mais fácil. E continuem atentos a todos os contactos: blogues, SMS, E-mails.
Como disse acima, a manifestação do dia 8 de Março tem que ser a maior de sempre. Está em jogo muita coisa. Essa manifestação tem que ser uma amostra da nossa unidade e força. Só se o for é que nos dará a força necessária para continuar a luta em defesa de um Ensino Público de qualidade, e pela afirmação merecida e necessária do prestígio, qualidade e nobreza da função docente.
Acorramos aLisboa, amigos, que querem matar os "mestres" sem por quê!
Vemo-nos em Lisboa.
Até lá, um abraço.

domingo, 2 de março de 2008

Braga saiu à rua e sorriu / outros comentários

O texto Braga saiu à rua e sorriu, que deixei no TempoBreve, foi publicado na íntegra em educar.wordpress.com (A Educação do Meu Umbigo), ontem, dia 1 de Março.
Faço esta referência por causa dos comentários que lá lhe foram feitos, e que você pode ler, procurando - na margem direita do referido educar.wordpress.com -, em "Entradas mais populares" o título "Resistências colectivas - Um Emocionado Testemunho de Braga.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Aos professores

É tradição
Os homens lutarem
É tradição
O Homem crescer
Na raiz do sangue dos homens que lutam
É tradição
Os homens sonharem
E haver sempre alguém
Que não verga a cerviz

Por isso façamos
Recolhas urgentes
De vozes cansadas

E terminais
E computadores
Miríades deles
Para com eles cobrirmos a terra
Em acordes que cantam canções verticais

É tradição
Os homens lutarem
É tradição
Os homens sonharem
E haver sempre alguém
Que não verga a cerviz

E renegado seja
Sete vezes seja
Quem quebrar um til
Da tradição que diz:

- O homem que sonha
Não verga a cerviz