1.
Hoje é começo de mês, sexta-feira, dia 1 de Fevereiro. O nome do mês deriva das festas a que os romanos chamavam Februais, e que se celebravam no dia 15 deste mês. Eram festas expiação ou de purificação em honra das almas dos mortos. Uns expiadores santos, e purificadores devotos, estes romanos que por cá passaram.
Deixaram-nos muito de tudo. Principalmente a alma, na forma de cultura e língua. E, como eles, temos também dia marcado em honra das almas dos nossos. Só que não são Februais, mas o nome pouco interessa. O que interessa é que os honramos.
2.
É dia de Santa Brígida da Irlanda, ou, simplesmente de Santa Brígida, a mística. Como vêem, todos os povos têm os seus santos. Não os têm muitas vezes apenas por serem santos, mas por serem santos seus. Pelo menos assim o dizem. Os irlandeses, esses então não desaproveitam nenhum que digam poder ser seu.
Nota:E fico-me por aqui, já que tenho que sair. Mas volto, que estas são notas de se ir escrevendo aos poucos.
Até já.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
As maçãs e o livro
Tenha um bom dia. E se cá veio e não viu nada, as minhas desculpas contentes: desculpas, por não lhe ter deixado nada novo para ler ou ver; contente, por você não ter visto o que muitos outros viram na simples fotografia do livro e das maçãs, que eu publiquei no Tempo.
Aquilo é uma inocência de fotógrafo desastrado. Desastrado e distraído. Aquilo são só maçãs, os frutos da macieira; aquilo são só páginas de livro, tão reais que até lhes diria nome e número. Mas não vai ser necessário, que você crê no que digo, é inocente como eu, e só vê o que lá está.
Não leia os comentários que alguém por lá deixou, incluindo os que eu escrevi. Aquilo pode lá ser?
Para que não restem dúvidas, e porque sou boa pessoa, quase tão como você, eu logo volto aqui, e conto-lhe como é que aquilo foi; como tudo aconteceu.
Não acredite nos outros: aqueles tais dos comentários.
:-)
Aquilo é uma inocência de fotógrafo desastrado. Desastrado e distraído. Aquilo são só maçãs, os frutos da macieira; aquilo são só páginas de livro, tão reais que até lhes diria nome e número. Mas não vai ser necessário, que você crê no que digo, é inocente como eu, e só vê o que lá está.
Não leia os comentários que alguém por lá deixou, incluindo os que eu escrevi. Aquilo pode lá ser?
Para que não restem dúvidas, e porque sou boa pessoa, quase tão como você, eu logo volto aqui, e conto-lhe como é que aquilo foi; como tudo aconteceu.
Não acredite nos outros: aqueles tais dos comentários.
:-)
domingo, 27 de janeiro de 2008
Onde está o seu sol, senhora ministra, que nunca lho vi?*
"Realmente a gente não se pode acanhar perante pessoazecas ou pessoazinhas tão pequeninas, que julgam guindar-se à altura, pisando aqueles que têm dignidade e orgulho de ensinar jovens a crescer.
A gente, realmente, não se pode acanhar, mas sim abrir a voz e soltar o que anda a moer a alma, coisa que essa gente não tem porque a venderam num leilão de coisas de nadas, vestidas de pó de coisa nenhuma.
A gente não se pode acanhar. A gente tem que se organizar e derrubar este arranhacéu de mentira onde querem encarcerar a nossa dignidade.
A gente não se pode acanhar e temos que ser voz e acto e rosto de se ver sem pseudónimos ou máscaras, quando se trata de coisas sérias.
Eu quero ser avaliada; eu quero ir-me embora com a certeza de que sou má com as novas exigências balofas de quem nos quer meter no jogo da mentira; eu quero que essa gente venha ver que me borrifo para a papelada e que na minha pessoa eu ainda mando, enquanto puder usar a voz para dizer aqui e onde me apetecer que eu sou uma professora de mão cheia, mesmo que os fantasmas da inquisição andem aí com medos anunciados.
Senhora Ministra, quando eu falo para os meus alunos, o meu rosto sente o calor do sol que me vem na alma e deixa que ele se espraie num rio de jovens que merecem ver o mar que leva a porto seguro.
Onde anda o seu sol, Senhora ministra, que nunca lho vi?"
...* NOTAS:
1 - Texto integral de Isabel Fidalgo , autora do blogue frutosdemimemar, merecedor de uma visita, sobre este e outros assuntos; 2 -Este texto foi por ela deixado na forma de comentário em Professorzecos de imbecis putecos, que publiquei no Tempo (sexta-feira, dia 25); 3 - Publico aqui o texto da Isabel Fidalgo, dando-lhe a visibilidade que ele merece neste meu humilde lugar; 4 - Um obrigado à Isabel Fidalgo, esperando que ela não me leve a mal o facto de eu ter publicado aqui o seu texto na página principal.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Gentinha manhosa e má
Parece que não gostaram muito dos últimos textos aqui deixados. Terão as suas razões. Mas eu quero-lhes dizer que aquilo que aqui disse é mesmo o que eu lhes queira dizer.
A crítica é generalista, e pode até parecer vaga e fácil. Mas não é como parece. Essa gente é mesmo gentinha. Essa gente é mesmo má. E, pior que isso tudo, essa gentinha é assim, por falta de formação: de formação científica, de formação pedagógica, de formação política, de formação democrática, de formação - simplesmente formação, que é a formação mais humana.
Quanto àquela personagem que inventei, a que dei nome de Crates, já estou arrependido. É que aquele "S" final, dá-lhe certa dignidade, Por disso, de agora em diante, eu vou só chamar-lhe Crate, que ele não merece o "S". Não fiquem preocupados, que ele até vai gostar, pois foi ele que começou a tirar nomes do seu nome. Mas eu não sou o pai dele. Por isso pouco me importa. E cada um escolhe o que quer.
Esta mania de se omitir o que se acha que não fica tão bem, e acrescentar sempre mais do que aquilo que se tem, tem muito de infantil, tem muito de imaturidade, tem muito de irresponsabilidade, tem muito de insegurança, tem muito de incompetência. E é próprio das pessoas que têm essa mania disfarçarem tudo isso com tiques autoritários, de arrogância e de teimosia. São pessoas perigosas. Acham que a aparência é tudo. Não têm a formação que deviam. E por isso não toleram quem não se ajoelha ante eles. E tentam calar aqueles que dizem que o rei vai nu. Não porque temerem que mintam. Mas por saberem que vão nus, e quererem que ninguém veja.
Anda por aí uma outra personagem que é quase como o Crate. Também não tem a formação que devia para a exercer a função que tem, embora pense que tem, porque também tem diplomas. Ela não suporta aqueles que tenham uma formação melhor, e que vão sobrevivendo na coutada em que ela manda, e que pensa que é dela. Por isso tenta expulsá-los, por via da humilhação. Quer só ficar com aqueles que, por oportunismo canino, lhe abanam sempre o rabo, e que, alegremente e com ela, vão destruindo o direito e o dever de formarmos os jovens.
Ela e os seus seguidores nivelam tudo por baixo, pois que foram sempre rasos . Arranjaram diplomas, ora aqui e ora ali, ora assim e ora assado, pensando, por isso, que sabem. Mas como há quem saiba mesmo, e lhes aponte o dedo da sua irresponsabilidade, tentam tudo para os calar, tudo para os abafar, tudo para os expulsar, tudo para os enlouquecer, tudo para que desistam. Só querem mesmo é os rafeiros, que lhe abanam o rabo, e que acríticos salivam, sempre à espera de côdea.
Esta outra personagem casa bem com o senhor Crates, se ele fosse de casar. Só que ela é ainda mais tétrica. E, tal como o senhor Crate, também tem um problema que lhe anda apegado ao nome. São coisas tão naturais, estas coisas com os nomes, mas para quem é gentinha, são um problema dos diabos, difíceis de resolver.
Uma outra coisa os une, é que os inventei provincianos. Não por questões de província, - que da província somos todos, mesmo até os de Lisboa, embora estes não o saibam -, mas por questões de mentalidade, de horizontes muito curtos. É que o provincianismo hoje nada tem a ver com a terra donde se é, mas com a mentalidade que se tem.
Não sei bem explicar por quê, mas ao falar agora do Crate e desta outra personagem tétrica, lembrei-me, assim de repente, daquela fotografia do galo ou da galinha e do coelho ou da coelha. Vocês não se lembram dela? Será que são mesmo eles? Não! Não pode ser! Os animais não são gentinha! Muito menos gentinha rasca.
Mas por que razão fui lembrar-me daquela fotografia, que um dia eu pus aqui, já não me lembro bem quando, já não me lembro bem onde?
Será que você se lembra?
A crítica é generalista, e pode até parecer vaga e fácil. Mas não é como parece. Essa gente é mesmo gentinha. Essa gente é mesmo má. E, pior que isso tudo, essa gentinha é assim, por falta de formação: de formação científica, de formação pedagógica, de formação política, de formação democrática, de formação - simplesmente formação, que é a formação mais humana.
Quanto àquela personagem que inventei, a que dei nome de Crates, já estou arrependido. É que aquele "S" final, dá-lhe certa dignidade, Por disso, de agora em diante, eu vou só chamar-lhe Crate, que ele não merece o "S". Não fiquem preocupados, que ele até vai gostar, pois foi ele que começou a tirar nomes do seu nome. Mas eu não sou o pai dele. Por isso pouco me importa. E cada um escolhe o que quer.
Esta mania de se omitir o que se acha que não fica tão bem, e acrescentar sempre mais do que aquilo que se tem, tem muito de infantil, tem muito de imaturidade, tem muito de irresponsabilidade, tem muito de insegurança, tem muito de incompetência. E é próprio das pessoas que têm essa mania disfarçarem tudo isso com tiques autoritários, de arrogância e de teimosia. São pessoas perigosas. Acham que a aparência é tudo. Não têm a formação que deviam. E por isso não toleram quem não se ajoelha ante eles. E tentam calar aqueles que dizem que o rei vai nu. Não porque temerem que mintam. Mas por saberem que vão nus, e quererem que ninguém veja.
Anda por aí uma outra personagem que é quase como o Crate. Também não tem a formação que devia para a exercer a função que tem, embora pense que tem, porque também tem diplomas. Ela não suporta aqueles que tenham uma formação melhor, e que vão sobrevivendo na coutada em que ela manda, e que pensa que é dela. Por isso tenta expulsá-los, por via da humilhação. Quer só ficar com aqueles que, por oportunismo canino, lhe abanam sempre o rabo, e que, alegremente e com ela, vão destruindo o direito e o dever de formarmos os jovens.
Ela e os seus seguidores nivelam tudo por baixo, pois que foram sempre rasos . Arranjaram diplomas, ora aqui e ora ali, ora assim e ora assado, pensando, por isso, que sabem. Mas como há quem saiba mesmo, e lhes aponte o dedo da sua irresponsabilidade, tentam tudo para os calar, tudo para os abafar, tudo para os expulsar, tudo para os enlouquecer, tudo para que desistam. Só querem mesmo é os rafeiros, que lhe abanam o rabo, e que acríticos salivam, sempre à espera de côdea.
Esta outra personagem casa bem com o senhor Crates, se ele fosse de casar. Só que ela é ainda mais tétrica. E, tal como o senhor Crate, também tem um problema que lhe anda apegado ao nome. São coisas tão naturais, estas coisas com os nomes, mas para quem é gentinha, são um problema dos diabos, difíceis de resolver.
Uma outra coisa os une, é que os inventei provincianos. Não por questões de província, - que da província somos todos, mesmo até os de Lisboa, embora estes não o saibam -, mas por questões de mentalidade, de horizontes muito curtos. É que o provincianismo hoje nada tem a ver com a terra donde se é, mas com a mentalidade que se tem.
Não sei bem explicar por quê, mas ao falar agora do Crate e desta outra personagem tétrica, lembrei-me, assim de repente, daquela fotografia do galo ou da galinha e do coelho ou da coelha. Vocês não se lembram dela? Será que são mesmo eles? Não! Não pode ser! Os animais não são gentinha! Muito menos gentinha rasca.
Mas por que razão fui lembrar-me daquela fotografia, que um dia eu pus aqui, já não me lembro bem quando, já não me lembro bem onde?
Será que você se lembra?
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
O Crates, atleta e salvador
O Tempo pôs-se para ali a barafustar, e vocês não gostam disso, que os governantes que temos, são os que merecemos, e são os que escolhemos, com uma inteligência rara, quase digna de deuses. Poderíamos dizer até, que o povo é quem manda, que o povo é quem ordena, que o povo é quem sabe, que o povo não se engana, nem pode nunca enganar-se.
Mas o Tempo é um hereje, é às vezes esquece esta coisa trivial que é a de que o povo, quando lhe dão um papelinho, para meter numa rachinha, no centro duma caixinha, fica transfigurado, torna-se consciente, torna-se sapiente, e escolhe sempre bem, e aguenta depois tudo, já que lhe ensinaram que é bom a imitar os sofrimentos calados daquele Job coitado, só para salvar o país.
E, c0mo vocês, uns optimistas que são, não gostam de ouvir o rezingão do Tempo, dizer mal injustamente dos governantes diligentes, que nos tratam da saúde a nós, e das contas bancárias dos seus, nós, as Peles - e até para arreliarmos o Tempo -, hoje só vamos dizer-lhes coisas simpáticas de ouvir, e até coisas optimistas e devotas, que é isso de que o povo gosta.
Limitamo-nos, aliás, a ser fiéis seguidores do nosso guru talentoso, que é o senhor Crates, atleta certificado. Na verdade, ele, que também é um vidente - embora não seja possível mostrar o certificado, porque a loja que lho deu, entretanto foi fechada -, já vai garantindo ao povo que o barco que dirige, já não se está a afundar , e até já está a emergir , e até a navegar, velas desfraldadas ao vento. O povo é que é estúpido, e não vê barco nenhum, porque o que sente e que sabe é que o barco está preso no pântano, e que se está a afundar. Mas o Crates é que sabe. E se ele diz que já estamos quase bem, é porque o bem está a chegar. Ele é um ilusionista. Quer ganhar as eleições. Tem que semear já ilusões, para nele o povo votar. E depois de votar que vá às urtigas.
Mas como lhes disse acima, só vou falar de coisas simpáticas, que há que ser irresponsável, e optimista palerma. Por isso vou crer na ilusão mentida do nosso guru atleta - que está a ser anunciada, e até muito comentada, por todos os comensais cráticos. Vou vestir-me de simpatias e de optimismos tolos. E nem sequer vou fazer referência irónica às feiras, apresar de hoje ser a terça. Mas farei isso mais logo.
Não levem muito a mal aquele fraqueza do Tempo em dizer mal dos valentes salvadores da pátria que nos estão a esfolar. Ele até já está todo muito arrependido!
Até logo e um abraço.
Mas o Tempo é um hereje, é às vezes esquece esta coisa trivial que é a de que o povo, quando lhe dão um papelinho, para meter numa rachinha, no centro duma caixinha, fica transfigurado, torna-se consciente, torna-se sapiente, e escolhe sempre bem, e aguenta depois tudo, já que lhe ensinaram que é bom a imitar os sofrimentos calados daquele Job coitado, só para salvar o país.
E, c0mo vocês, uns optimistas que são, não gostam de ouvir o rezingão do Tempo, dizer mal injustamente dos governantes diligentes, que nos tratam da saúde a nós, e das contas bancárias dos seus, nós, as Peles - e até para arreliarmos o Tempo -, hoje só vamos dizer-lhes coisas simpáticas de ouvir, e até coisas optimistas e devotas, que é isso de que o povo gosta.
Limitamo-nos, aliás, a ser fiéis seguidores do nosso guru talentoso, que é o senhor Crates, atleta certificado. Na verdade, ele, que também é um vidente - embora não seja possível mostrar o certificado, porque a loja que lho deu, entretanto foi fechada -, já vai garantindo ao povo que o barco que dirige, já não se está a afundar , e até já está a emergir , e até a navegar, velas desfraldadas ao vento. O povo é que é estúpido, e não vê barco nenhum, porque o que sente e que sabe é que o barco está preso no pântano, e que se está a afundar. Mas o Crates é que sabe. E se ele diz que já estamos quase bem, é porque o bem está a chegar. Ele é um ilusionista. Quer ganhar as eleições. Tem que semear já ilusões, para nele o povo votar. E depois de votar que vá às urtigas.
Mas como lhes disse acima, só vou falar de coisas simpáticas, que há que ser irresponsável, e optimista palerma. Por isso vou crer na ilusão mentida do nosso guru atleta - que está a ser anunciada, e até muito comentada, por todos os comensais cráticos. Vou vestir-me de simpatias e de optimismos tolos. E nem sequer vou fazer referência irónica às feiras, apresar de hoje ser a terça. Mas farei isso mais logo.
Não levem muito a mal aquele fraqueza do Tempo em dizer mal dos valentes salvadores da pátria que nos estão a esfolar. Ele até já está todo muito arrependido!
Até logo e um abraço.
sábado, 19 de janeiro de 2008
Um chocolate, sim?
Um bom dia. Passarei por cá mais logo para ver como estão. Vou de tarde a um sítio, e passo numa pastelaria, que é dum amigo meu. Pode ser que traga do chocolate que ele faz, e me oferece. E, se o trouxer, vou dar-lhe algum a si. Pouquinho, claro, que eu gosto muito, e a maior parte tem que ser para mim.
De que estava à espera? Que fosse simpático e lho désse todo?
Homessa!
:-)
De que estava à espera? Que fosse simpático e lho désse todo?
Homessa!
:-)
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
A honra de sermos homens
A Cova da Moura é uma personagem cujo nome me intriga. Vem de vez em quando aqui, deixando alguns comentários que eu leio sempre simpáticos. Foi o que aconteceu no texto Ainda não sei quem sou, o último que eu deixei pendurado aqui nas Peles.
Escreve ela que ao ler esse texto se lembrou de Miguel Torga, especificando essa lembrança na forma de citação: …Puras miragens, puros impossíveis, / Um a um / Foram morrendo sem deixar ao menos / Traços visíveis / Da ilusão fugaz…/.
Afirma, logo a seguir, que eu aprecio o Torga. Ela adivinha, mas como o faz eu não sei. Tal como o Torga, eu observo a natureza e o humano, ambos num só irmanados, e natureza me sei, que é a única maneira que tenho de saber que sou humano. Mas isto é outra história.
Não obstante tudo isto, e ao contrário da citação, eu acho que somos feitos de miragens e de impossíveis que, mesmo um a um morrendo, vão esculpindo em nós os traços dessas ilusões fugazes. São traços, são cicatrizes, que temos porque sonhamos. E só sonha quem é homem.
Claro que o sonhador vai cair, claro que vai sofrer, claro que vai chorar, claro que não vai chegar aos píncaros daquele monte que tem os sonhos mais altos. Mas sabe que o destino do homem é subir, seguindo as centelhas divinas, que habitam dentro de si, e lhe apontam o caminho do bem, do belo e do amor, mesmo sabendo que nunca.
São traços, são cicatrizes, que temos porque sonhamos; e são símbolos dessa honra, que é a honra de sermos homens.
O Torga sabia disso, e sabia que as centelhas divinas estavam apenas na terra, na terra que era sagrada, e em que ele se fundia, estando nele também. Mas aquilo que ele buscava, não eram as simples centelhas que o faziam poeta, mas sim o fogo eterno, aquele fogo divino, aquele fogo sagrado que ele nunca encontrava em toda a plenitude. Por isso, às vezes dizia que vida não conduzia a nada, e nem sequer deixava traços dos sonhos que perseguia.
O Torga estava enganado. E sabia-o muito bem. Que o único fogo sagrado está escondido na terra, e em tudo que ela tem, incluindo a humanidade. Por isso ele a amava tanto, a escavava e a revolvia, até lhe sangrar a alma, buscando nela o fogo que sagrava a humanidade.
Ficaram-lhe cicatrizes. Porque foi homem e sonhou. E algum fogo deixou, alentando a humanidade.
Que estamos a fazer desse fogo? Por onde anda a humanidade?
Escreve ela que ao ler esse texto se lembrou de Miguel Torga, especificando essa lembrança na forma de citação: …Puras miragens, puros impossíveis, / Um a um / Foram morrendo sem deixar ao menos / Traços visíveis / Da ilusão fugaz…/.
Afirma, logo a seguir, que eu aprecio o Torga. Ela adivinha, mas como o faz eu não sei. Tal como o Torga, eu observo a natureza e o humano, ambos num só irmanados, e natureza me sei, que é a única maneira que tenho de saber que sou humano. Mas isto é outra história.
Não obstante tudo isto, e ao contrário da citação, eu acho que somos feitos de miragens e de impossíveis que, mesmo um a um morrendo, vão esculpindo em nós os traços dessas ilusões fugazes. São traços, são cicatrizes, que temos porque sonhamos. E só sonha quem é homem.
Claro que o sonhador vai cair, claro que vai sofrer, claro que vai chorar, claro que não vai chegar aos píncaros daquele monte que tem os sonhos mais altos. Mas sabe que o destino do homem é subir, seguindo as centelhas divinas, que habitam dentro de si, e lhe apontam o caminho do bem, do belo e do amor, mesmo sabendo que nunca.
São traços, são cicatrizes, que temos porque sonhamos; e são símbolos dessa honra, que é a honra de sermos homens.
O Torga sabia disso, e sabia que as centelhas divinas estavam apenas na terra, na terra que era sagrada, e em que ele se fundia, estando nele também. Mas aquilo que ele buscava, não eram as simples centelhas que o faziam poeta, mas sim o fogo eterno, aquele fogo divino, aquele fogo sagrado que ele nunca encontrava em toda a plenitude. Por isso, às vezes dizia que vida não conduzia a nada, e nem sequer deixava traços dos sonhos que perseguia.
O Torga estava enganado. E sabia-o muito bem. Que o único fogo sagrado está escondido na terra, e em tudo que ela tem, incluindo a humanidade. Por isso ele a amava tanto, a escavava e a revolvia, até lhe sangrar a alma, buscando nela o fogo que sagrava a humanidade.
Ficaram-lhe cicatrizes. Porque foi homem e sonhou. E algum fogo deixou, alentando a humanidade.
Que estamos a fazer desse fogo? Por onde anda a humanidade?
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