Onde está o nada, e no nada o tudo?
Onde está o tudo, e no tudo o deus?
Onde está o deus, e no deus o tempo?
Onde está o tempo, e no tempo o espaço?
Onde está o espaço, e no espaço o fogo?
Onde e está o fogo, e no fogo o ar
Onde está o ar, e no ar a luz?
Onde está a luz, e na luz o brilho?
Onde está o brilho, e no brilho o mar?
Onde está o mar, e no mar o barco?
Onde está o barco, e no barco o homem?
Onde está o homem, e no homem quê?
E no quê o homem
E no homem barco
E no barco o mar?
E no mar o brilho
E no brilho a luz
E na luz o ar?
E no ar o fogo
E no fogo o espaço
E no espaço o tempo?
E no tempo o deus
E no deus o nada
E no nada o tudo?
...
* Com uma arma de afectividade apontada à cabeça, fui mesmo obrigado a fazer a vontade ao macaco. Telefonou-me de parte incerta. Discutimos muito.
-Publica já os dois coisos juntos!; - Coisos? - Sim, os poemas! Queres irritar-me?; -Não! Calma aí!; - Põe um a seguir ao outro, tal como estão. - Mas assim ficas um autor pesado!; - O quê? Estás a chamar-me gordo?; - Não! Que ideia! Vou só aligeirar a segunda parte, dando-lhe um ritmo leve, mais de baloiçar!; - Baloiçar? Tu disseste baloiçar? Estás a insinuar que eu sou macaco a baloiçar em árvores?; - Não! Que coisa! Mas como é que te foste lembrar?; - Não me lembrei nada. Dá-lhe lá então esse tal ritmo leve, mas, pelo sim pelo não, tira o baloiçar!; - E que queres que ponha?; - Inventa lá qualquer coisa, mas baloiçar, isso não, que podem pensar, tu sabes o quê!; - Em vez de baloiçar vou pôr embalar, está bem?; - Embalar está bem! E deixa-te de tretas, que o embalar comove-me!; - Queres voltar para a Casa das Letras?; - Sim! Mas não te vou dizer que quero!
E desligou. Mas eu bem lhe ouvi uma lágrima a cair para mim. E publiquei o texto, que juro que é dele.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Comentários a comentários
Um tal Alcoviteiro disse, num comentário em "Vou ter que lhe dar uma coça" - texto que está no Tempo -, que alguns dos meus comentários aos comentários são melhores do que alguns textos.
A verdade seja dita: o Alcoviteiro tem razão. Eu já estive para avisar, mas não me ficava bem. Por isso fui esperando que aparecesse alguém que o fizesse por mim. E apareceu o Alcoviteiro.
Por isso, façam o favor de lerem os comentários que escrevo, que sendo induzidos pelos comentários de uns, são escritos para todos. Alguns valerão a pena. Mas se acaso a sua leitura for uma perda de tempo, você poderá sempre chamar-me uns nomes bonitos.
Até logo, sim?
:-)
Nota: A fotografia no Tempo é linda, e fui eu que a tirei, e vai ter um pequeno texto.
A verdade seja dita: o Alcoviteiro tem razão. Eu já estive para avisar, mas não me ficava bem. Por isso fui esperando que aparecesse alguém que o fizesse por mim. E apareceu o Alcoviteiro.
Por isso, façam o favor de lerem os comentários que escrevo, que sendo induzidos pelos comentários de uns, são escritos para todos. Alguns valerão a pena. Mas se acaso a sua leitura for uma perda de tempo, você poderá sempre chamar-me uns nomes bonitos.
Até logo, sim?
:-)
Nota: A fotografia no Tempo é linda, e fui eu que a tirei, e vai ter um pequeno texto.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Vou armar-lhe uma cilada
Peço imensa desculpa pelo acontecido no Vou ter que lhe dar uma coça, ontem publicado no Tempo. Já o alterei várias vezes, a ver se amenizava a rudeza do macaco, mas quanto mais o altero, mais rude ele fica . Já viram como me enganou? Já viram como me trata? E os nomes que me chama? Eu nem quero acreditar. E dizer-se que o criei!
Eu sei que a culpa não é bem dele. É mais de quem o inventou. E não se ponham com esse olhar silencioso e crítico viradinho para mim, ouviram? Eu sei que lhe dei o ser e o criei, mas não o criei assim. Quem o criou assim foram vocês, com as manias que lhe ensinaram, com os truques que lhe mostraram, com as simpatias que lhe deram, com as promessas que lhe fizeram. E principalmente daquelas que, sem escrúpulos e manhosas, o embeiçaram, tornando-o quase imbecil.
Eu já tinha dito aqui, que ele andava apaixonado. Logo, que andava doente. E até acrescentei que eu o ia curar. Mas nunca imaginei que a doença era assim forte. Tão, que eu já duvido se aquilo é doença de paixão, ou se de feitiçaria. Mas seja qual for a origem da loucura que se apossou dele, eu sei que o vou recuperar. Mas da coça não se livra, pois aquilo que ele me chamou, no texto já referido, não se pode perdoar. E eu não sou pai banana, não sou professor banana, nem sou amigo banana.
Eu vou fazer constar por aí que chegou aqui para ele uma carta apaixonada, recheada de palavras e de promessas bonitas, e com uma fotografia que também é muito linda; e também vou fazer constar que a fotografia vem vestida, com umas pecinhas de seda, mas que a maior parte das vestes é constituída por pele. Ele vai voltar a mim, que ele vai desejar vê-las: a ela, à sedas e à pele.
Só tenho que arranjar a carta e a fotografia, tais como eu disse que eram. A carta, isso é fácil, que essa sei eu escrever. Ora agora a apaixonada, toda vestida de pele, exceptuando apenas as pequenas peças de seda, isso vai ser mais difícil. Mas algo se há-de arranjar.
Ele acha-se muito esperto, mas vai cair neste truque, que nem pato em braseiro.
Vocês não lhe digam nada, que eu só o quero enganar, para lhe dar a tal coça, e para depois o curar. Que eu gosto muito dele, e só lhe posso querer bem.
Eu sei que a culpa não é bem dele. É mais de quem o inventou. E não se ponham com esse olhar silencioso e crítico viradinho para mim, ouviram? Eu sei que lhe dei o ser e o criei, mas não o criei assim. Quem o criou assim foram vocês, com as manias que lhe ensinaram, com os truques que lhe mostraram, com as simpatias que lhe deram, com as promessas que lhe fizeram. E principalmente daquelas que, sem escrúpulos e manhosas, o embeiçaram, tornando-o quase imbecil.
Eu já tinha dito aqui, que ele andava apaixonado. Logo, que andava doente. E até acrescentei que eu o ia curar. Mas nunca imaginei que a doença era assim forte. Tão, que eu já duvido se aquilo é doença de paixão, ou se de feitiçaria. Mas seja qual for a origem da loucura que se apossou dele, eu sei que o vou recuperar. Mas da coça não se livra, pois aquilo que ele me chamou, no texto já referido, não se pode perdoar. E eu não sou pai banana, não sou professor banana, nem sou amigo banana.
Eu vou fazer constar por aí que chegou aqui para ele uma carta apaixonada, recheada de palavras e de promessas bonitas, e com uma fotografia que também é muito linda; e também vou fazer constar que a fotografia vem vestida, com umas pecinhas de seda, mas que a maior parte das vestes é constituída por pele. Ele vai voltar a mim, que ele vai desejar vê-las: a ela, à sedas e à pele.
Só tenho que arranjar a carta e a fotografia, tais como eu disse que eram. A carta, isso é fácil, que essa sei eu escrever. Ora agora a apaixonada, toda vestida de pele, exceptuando apenas as pequenas peças de seda, isso vai ser mais difícil. Mas algo se há-de arranjar.
Ele acha-se muito esperto, mas vai cair neste truque, que nem pato em braseiro.
Vocês não lhe digam nada, que eu só o quero enganar, para lhe dar a tal coça, e para depois o curar. Que eu gosto muito dele, e só lhe posso querer bem.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Onde está o quê? *
Onde está o quê, e no quê o homem?
Onde está o homem, e no homem barco?
Onde está o barco, e no barco o mar?
Onde está o mar, e no mar o brilho?
Onde está o brilho, e no brilho a luz?
Onde está a luz, e na luz o ar?
Onde está o ar, e no ar o fogo?
Onde está o fogo, e no fogo o espaço?
Onde está o espaço, e no espaço o tempo?
Onde está o tempo, e no tempo o deus?
Onde está o deus, e no deus o tudo?
Onde está o tudo, e no tudo o nada?
........
* Este texto tem diferenças relativamente ao que está no Tempo; poderei juntar os dois; se tal acontecer, não decidi ainda qual ficará primeiro; se os juntar, haverá modificações; o títulos serão também alterados; por que diabo não parei no primeiro?; tinha o problema resolvido, não tinha?
Onde está o homem, e no homem barco?
Onde está o barco, e no barco o mar?
Onde está o mar, e no mar o brilho?
Onde está o brilho, e no brilho a luz?
Onde está a luz, e na luz o ar?
Onde está o ar, e no ar o fogo?
Onde está o fogo, e no fogo o espaço?
Onde está o espaço, e no espaço o tempo?
Onde está o tempo, e no tempo o deus?
Onde está o deus, e no deus o tudo?
Onde está o tudo, e no tudo o nada?
........
* Este texto tem diferenças relativamente ao que está no Tempo; poderei juntar os dois; se tal acontecer, não decidi ainda qual ficará primeiro; se os juntar, haverá modificações; o títulos serão também alterados; por que diabo não parei no primeiro?; tinha o problema resolvido, não tinha?
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Escadas da vida
Regressarei hoje aqui com um pouco de mais tempo. A ausência de dois dias deveu-se ao fim de semana. E vocês sabem também que andei à procura do tal.
Encontrei-o na sexta-feira. Tinha que ser. Ameacei-o e, logo no sábado , até me acompanhou a Montebelo, em Viseu. Mas seguiu-me sempre à distância, fingindo o tempo todo que eu não sabia dele; e eu fingindo todo o tempo que ele não sabia de mim. Ele é duro de roer; mas eu também não sou mole.
Ele anda preocupado. Quer dizer-me qualquer coisa. Quer dizer-me, ou quer pedir-me. E eu até já desconfio qual a coisa que ela é. Vou ter que ter muito cuidado, na resposta que lhe der. É que as respostas são escadarias que podem fazer da vida, ora um céu, ora um inferno. E nem sempre é muito fácil distinguir umas das outras. E mesmo quando as distinguimos, ainda somos tentados a seguir pela errada. Vou ter que ter muito cuidado com a resposta que der ao meu amigo macaco. Que eu quero-o no céu, mas não na forma de parvo.
Mas voltarei mais logo aqui, que agora tenho que ir.
E tenha um muito bom dia!
Encontrei-o na sexta-feira. Tinha que ser. Ameacei-o e, logo no sábado , até me acompanhou a Montebelo, em Viseu. Mas seguiu-me sempre à distância, fingindo o tempo todo que eu não sabia dele; e eu fingindo todo o tempo que ele não sabia de mim. Ele é duro de roer; mas eu também não sou mole.
Ele anda preocupado. Quer dizer-me qualquer coisa. Quer dizer-me, ou quer pedir-me. E eu até já desconfio qual a coisa que ela é. Vou ter que ter muito cuidado, na resposta que lhe der. É que as respostas são escadarias que podem fazer da vida, ora um céu, ora um inferno. E nem sempre é muito fácil distinguir umas das outras. E mesmo quando as distinguimos, ainda somos tentados a seguir pela errada. Vou ter que ter muito cuidado com a resposta que der ao meu amigo macaco. Que eu quero-o no céu, mas não na forma de parvo.
Mas voltarei mais logo aqui, que agora tenho que ir.
E tenha um muito bom dia!
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Na linha da frente
Hoje, quando cheguei à Casa das Letras, fiz como sempre faço: fui de sala em sala, de estante em estante, de gaveta em gaveta, a ver se via o macaco. Há uma voz que me diz que ele anda aqui por perto, ou até em mim. Percorri os cantos todos, mas nem sinal dele.
Resolvi vir aqui ao computador, contentando-me ao menos com o seu retrato. Mas, qual quê? Já não está na página. Foi então que o meus olhos caíram num papel escrito com uma caligrafia, apressada e disfarçada, que era a dele, e que rezava assim:
Li tudo o que foi escrito sobre os mandaretes: as alegorias, que fingiste não serem, para que todos soubessem que eram; as alegorias, que outros escreveram, dando força às tuas; os teus comentários, que embora críticos, são bem comedidos; os comentários dos outros, reforçando os teus, e bem melhores que os teus.
Depois de ler tudo, até concordei. Mas soube-me a pouco. Pus-me a pensar por que motivo me sabia a pouco. E descobri: falta-vos a alma; falta-vos a utopia; falta-vos a grandeza; falta-vos a coragem; falta-vos o sonho; falta-vos um rumo. Mas a mim, não, que, como bem sabeis, estou apaixonado. E só a paixão é que nos ilumina, e nos enche o peito duma força tal, que nada nos impede de avançar em frente, perseguindo sempre os ideais mais nobres.
A minha paixão, que reconheceste, obriga-me a avançar. Por isso estarei na linha de frente, marcando presença contra os mandaretes; contra todos eles, estes ou outros, que estejam na fila para apanhar lugar; contra os mandaretes que se refastelam, em manjares megalómanos de esbanjamento, sentados à mesa do orçamento, que todos nós pagamos com língua de palmo; contra os mandaretes que, hipocritamente, vão deixando cair, aqui e ali, umas migalhas, pensando, na sua infinita bondade, que as pessoas sofridas são ratos; contra os mandaretes que, despudorados, ficam irritados por não aceitarmos a condição de ratos e por protestarmos e não batermos palmas e não abanarmos rabos.
Contra os mandaretes, na linha da frente. Por mim e por vós, mesmo que não concordeis; por mim e por vós, os que não podeis, porque o ordenado é pouco, porque o emprego é arbitrário, porque justamente temeis retaliações, ou, muito simplesmente, porque não sabeis da massa de que são feitos estes mandaretes, nem dos traumas da incompetência que têm.
E, para começar, hoje faço greve, que a minha paixão de povo me obriga a estar na linha da frente.
Depois de ler isto, eu fiquei varado. Tenho que ir com ele. Estar ao lado dele. E ele vai gostar de me ver a seu lado.
Resolvi vir aqui ao computador, contentando-me ao menos com o seu retrato. Mas, qual quê? Já não está na página. Foi então que o meus olhos caíram num papel escrito com uma caligrafia, apressada e disfarçada, que era a dele, e que rezava assim:
Li tudo o que foi escrito sobre os mandaretes: as alegorias, que fingiste não serem, para que todos soubessem que eram; as alegorias, que outros escreveram, dando força às tuas; os teus comentários, que embora críticos, são bem comedidos; os comentários dos outros, reforçando os teus, e bem melhores que os teus.
Depois de ler tudo, até concordei. Mas soube-me a pouco. Pus-me a pensar por que motivo me sabia a pouco. E descobri: falta-vos a alma; falta-vos a utopia; falta-vos a grandeza; falta-vos a coragem; falta-vos o sonho; falta-vos um rumo. Mas a mim, não, que, como bem sabeis, estou apaixonado. E só a paixão é que nos ilumina, e nos enche o peito duma força tal, que nada nos impede de avançar em frente, perseguindo sempre os ideais mais nobres.
A minha paixão, que reconheceste, obriga-me a avançar. Por isso estarei na linha de frente, marcando presença contra os mandaretes; contra todos eles, estes ou outros, que estejam na fila para apanhar lugar; contra os mandaretes que se refastelam, em manjares megalómanos de esbanjamento, sentados à mesa do orçamento, que todos nós pagamos com língua de palmo; contra os mandaretes que, hipocritamente, vão deixando cair, aqui e ali, umas migalhas, pensando, na sua infinita bondade, que as pessoas sofridas são ratos; contra os mandaretes que, despudorados, ficam irritados por não aceitarmos a condição de ratos e por protestarmos e não batermos palmas e não abanarmos rabos.
Contra os mandaretes, na linha da frente. Por mim e por vós, mesmo que não concordeis; por mim e por vós, os que não podeis, porque o ordenado é pouco, porque o emprego é arbitrário, porque justamente temeis retaliações, ou, muito simplesmente, porque não sabeis da massa de que são feitos estes mandaretes, nem dos traumas da incompetência que têm.
E, para começar, hoje faço greve, que a minha paixão de povo me obriga a estar na linha da frente.
Depois de ler isto, eu fiquei varado. Tenho que ir com ele. Estar ao lado dele. E ele vai gostar de me ver a seu lado.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Activista e agitador
O macaco passou por aqui e deixou-me uma mensagem. E fez-me uma intimação para que eu a publicasse. Ele virou activista. Activista e agitador. E como ele é inteligente, ainda o podem prender. Vou ter de pensar melhor. Mas tenho que pensar depressa, a ver se o posso salvar.
Até breve.
Até breve.
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