terça-feira, 20 de novembro de 2007

Uma boa intenção

Tenho a santa intenção de deixar-lhes, ainda hoje, um pequeno texto sobre aquele respeitável senhor que está aqui em baixo.
Não o deixo agora, que está por acabar; e quando o acabasse, iria alterá-lo.
Vocês, por maldade, iam protestar, claro! Sem qualquer razão, mais claro ainda! Por isso, não o deixo aqui agora.
Mas deixo-lhes a tal boa intenção, que já leva ao céu.
É o que dizem!
:-)

domingo, 18 de novembro de 2007

Sim e não, eis a slolução

...
in Amanhã - Aventuras num mundo incerto, de Bradley Trevor Greive*, artepluraledições, 1ª. edição, 2004, p. 8
*Natural da Tasmânia; vive em Sidney, na Austrália; gosta de animais; ver
www.btgstudios.com

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Eles já vão ver!

Isto é para todos aqueles e aquelas, anónimos ou sucedâneos, que se unirem do lado de lá - em forma de legião conspirativa, céptica e malévola -, contra a minha frágil, crente e inocente pessoa, que está heróica e sozinha do lado de cá. Sendo para todos esses, é principalmente para os dois "Anónimos" e para a Ibel - autores dos três últimos comentários deixados em Boatos e Alegorias, no pobre e indefeso Tempo -, pois eles podem bem ser os chefes da impiedosa e exigente conspiração. Mas é para si também, que, como eu, é inocente e não tem malícia, só para que veja como eles são maus, e como eu sou bonzinho, e como se devem pôr todos do meu lado, rezando por mim. Eu nem ponho aqui os comentários que eles fizeram. Mas eles estão lá, no sítio deles.
Dirigir-me-ei primeiro aos tais dois "Anónimos", como se só estivesse a falar com eles, estando, na verdade, a falar com todos.
- Falo para os dois, mas desde já juro não estar a insinuar que vocês os dois sejam dois em um. O que é isso de me chamarem perito na arte da fuga? E que é isso de me vestirem de barbas de maliciosa inocência? E que é isso de irem aos mares buscar temporais para me retardar?Eu aprecio "A Arte da Fuga", mas não sou fujão; a minha inocência é proverbial, mas, às vezes, tenho que pôr as barbas de molho, por causa da malícia que inventam em mim; os temporais do mar entram-me na alma, assim como a acalmia que eles depois trazem.
Há ainda a Ibel. E a essa não perdoo mesmo, que me fez pensar estar do meu lado, quando, afinal, também está do lado de lá. Bem me enganou! E eu só no fim é que percebi a figura que fiz no que lhe escrevi. Ora vejam bem:
- Ainda bem que você acredita na minha inocência, bem comprovada na coelha branca e no galo em poses de; poses essas que, como diz, e bem, não suscitam nada. Mas as más línguas cépticas não se conformam; não acreditam; só vêem naquilo o que querem ver, e que é o que lá está.Até a cria se põe contra mim. E é sempre assim. Em vez de se pôr do lado de cá, põe-se sistematicamente do lado de lá. E, depois, ainda se ri da habilidade.Eu acho que você também se está a rir agora. Ai, o diabo! Não me diga que também está com os do lado de lá e, porque me sabe inocente, esteve a gozar comigo.Ai, ai, ai,ai, ai ,ai!
Estes anónimos, e esta Ibel, que teimosos são! Tenho que livrar-me deles, e da sua pressão. Nesta brevidade que me envolve, não posso, agora, dar-lhes a história que, provocatórios, merecem e querem.
Mas eu já lhes digo: vou engendrar, com muito cautela, uma infalível manobra de diversão. Vou iludi-los. A eles e aos deles. Mas a você não.
Nem vão dar por ela! Eles já vão ver! E vocês também.

Nota: Esta nota só deve ser lida pelos que estão do lado de cá; e não digam aos outros, aos do lado de lá, que este texto é já ele em si uma manobra de diversão; mas é só para os iludir; não é a verdadeira; não lhes digam nada!

Bichos teimosos

Vim aqui para lhe deixar aquele tal "Bom dia!", que você merece, e me dá prazer. Mas, uma vez que vim - só para lhe oferecer a simpatia deste meu "Bom dia!" tão especial -, aproveito para lhe dizer que os tais animais já moram aqui há tempo demais.
A culpa é toda do Tempo que , envaidecido, se deixou enrolar na corda do tempo que lhe foram dando. Nós, as Peles, vamos tentar resolver definitivamente a questão. Não vai ser fácil. Mas também temos nisto alguma responsabilidade. Afinal, fomos nós, as Peles, que publicamos a fotografia que o Tempo escolheu.
Eu, cá por mim, voltarei aqui: voltando ao assunto; e voltando a si.
Deixo-o agora com esta promessa tão de manhã, e repetindo o propósito primeiro que me trouxe até aqui:
- Bom dia! Especialmente para si.
:-)

domingo, 11 de novembro de 2007

São nada! Isso é loucura!


in Amanhã - Aventuras num mundo incerto, de Bradley Trevor Greive*, artepluraledições, 1ª. edição, 2004, p.20
*Natural da Tasmânia; vive em Sidney, na Austrália; gosta de animais; ver www.btgstudios.com

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Amazona e guerreira

Com o texto Andará a loucura à solta?, publicado aqui nas Peles, pretendi essencialmente lembrar-lhes uma grande obra - O Alienista -, de um grande escritor - Machado de Assis. É uma boa leitura, a todos os títulos. O resumo do enredo que deixei no Tempo é muito pobre, se comparado com a leitura do livro. Façam a experiência, e depois falamos.
Aproveitei também para lembrar a questão real que se põe acerca do Português de Portugal e do Português do Brasil. Não há que temer discutir o assunto. Há é que discuti-lo com lealdade e saber. Sem precipitações. Sem nacionalismos descabidos. E isto refere-se a todas as partes, a começar pelos portugueses. Para bem da língua. Para bem de todos.
Ao contrário do que possa parecer, através das considerações laterais que teci a este propósito em Andará a loucura à solta?, eu acho que nos devemos manter abertos para discutir todas as hipóteses, e todas as razões que estão por detrás dessas hipóteses. E devemos estar dispostos a considerar e a aceitar argumentos seguros opostos aos nossos.
É claro que, se leram o meu texto, sabem muito bem qual a dama que defendo - a Língua Portuguesa. Defendê-la-ei sempre. E se se abrasileirar, eu irei atrás dela. Porque, se gostarmos dela, todos os que a temos, quanto mais brasileira, mais portuguesa; e, quanto mais portuguesa, mais brasileira. A diversidade em unidade será sempre enriquecedora; a diversidade centrífuga, essa talvez não.
Eu, que penso e sinto em português, só posso agradecer aos brasileiros as sonoridades novas que deram à língua que falo ; os ritmos ondulantes que lhe avivaram; as palavras novas que lhe inventaram; a importância socio-cultural imprescindível que lhe acrescentam e dão.
As nossas diferenças, acrescidas das de outras paragens ainda, são afluentes cantantes - umas vezes teimosos, outras vezes rebeldes, e até renitentes -, mas que irão desaguar sempre ao grande Amazonas que é a Língua Portuguesa.
Seria uma pena se esses afluentes se separassem; seria uma pena se o nosso Amazonas se transformasse num rio vulgar. Eu acredito que ainda há amazonas no grande Amazonas que é a língua nossa. E, embora não pareça, elas não vão deixar que tal aconteça.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Andará a loucura à solta?

Deixo-os aqui com O Alienista, de Machado de Assis (1839 - 1908). Tenham cuidado. A sua morte foi anunciada. Mas nunca fiar. Ele pode apenas estar a experimentar uma nova teoria sobre a loucura. Acautelem-se, pois!
Já há tempos que queria pôr este livro aqui. E até falar dele. Fui adiando. Hoje decidi-me. Ele aqui está. Mas não vou falar dele. Se o ler verá que não é necessário. Ele fala por si. E se já o leu, faça como eu: leia-o outra vez, e outra, e outra.
Como é por de mais sabido, o Machado de Assis é brasileiro, de pai português e de mãe mulata. Sobejamente sabido é também o facto de ele ser um dos primeiríssimos entre os primeiríssimos autores da Literatura de Língua Portuguesa. Disse bem: Literatura de Língua Portuguesa. Não me enganei.
Sei que há quem sustente aquela ideia peregrina de que o falar português à moda do Brasil é já outra língua. Ou, se não é, que virá a ser. Há quem sustente o mesmo com o falar inglês à moda dos Estados Unidos da América do Norte. Os argumentos também são os mesmos. Mas não têm razão.
Os peregrinos dessa tal ideia dão-nos argumentos empolados de grandes roupagens. Mas, quando despidos, não têm peso bastante. Eu compreendo-os. Baseiam-se muito em estatísticas de espaço e de gente; baseiam-se também muito na sua própria vontade, cuja grandeza é inversamente proporcional ao peso dos argumentos que apontam. Mas as estatísticas voluntariosas, regra geral, são enganosas; dão-nos aquilo que já sabemos e queremos provar; ou o seu contrário, caso mudemos de ideias. São muitas vezes um verdadeiro absurdo, uma arbitrariedade, uma caricatura. São como aqueles referendos, cujo resultado não está tanto no voto, mas está muito mais no modo de perguntar.
E onde é que entra aqui O Alienista? Não entra. Mas eu faço-o entrar. Porquê? Porque quero, e porque a sua actualidade mo permite; mas, da actualidade poder-se-á falar depois. Então, não foram forçadas as considerações acerca daquela coisa das "línguas" e dos "argumentos"? Claro que foram. Mas eu avisei, lá em cima, no segundo parágrafo que não ia falar do livro. A culpa foi sua, que não acreditou. Você não tem vergonha? Não pode ao menos apontar duas razões para a sua demagogia? Ora aqui vão elas: primeiro, o Machado de Assis é brasileiro, mas escreveu o livro em português; segundo, o protagonista d' O Alienista é um homem de ciência, e também usa a estatística.
Para terminar, que isto vai longo, volto ao princípio, que é o essencial: acautele-se, que anda a loucura à solta; e leia O Alienista, que isso é que importa.